Grande parte das empresas funciona sob a ilusão de que os empregados são geralmente “pessoas de bem” e que as “maçãs-podres” são uma exceção: funcionários sem ética são pouco produtivos e, como tal, devem ser despedidos. E a conversa acaba aqui.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Como gerir um funcionário sem ética
Artigo redigido por António Machado Vaz*
AMV13|2013-14
Grande parte das empresas funciona sob a ilusão de que os empregados são geralmente “pessoas de bem” e que as “maçãs-podres” são uma exceção: funcionários sem ética são pouco produtivos e, como tal, devem ser despedidos. E a conversa acaba aqui.
Este é um equívoco comum. Geralmente pensamos que a honestidade e
a competência têm uma correlação positiva - mas a verdade é que existem
tantas pessoas honestas que são incompetentes como pessoas competentes que são desonestas.
Ainda recentemente, em conversa com a nossa amiga Marlene Rosário
(Directora de RH da Bosch – Ovar Plant) ela dizia que, na Bosch, a avaliação do
desempenho dos trabalhadores tem em conta – não apenas se os objectivos foram alcançados – mas também o modo como esses objectivos foram atingidos (i.e., se estão de
acordo com os valores éticos que a empresa pratica). E, de facto, se pensarmos
bem, é possível ser altamente produtivo deixando um “rasto de destruição” à sua
volta: chefias que abusam dos elementos da sua equipa, trabalhadores que se
evidenciam à custa do trabalho dos seus colegas, vendedores que poem em causa
relações futuras com clientes e fornecedores só para aumentarem a margem de
lucro numa única transacção.
A actuação dos trabalhadores reflecte-se na imagem das empresas –
e a reputação desta no mercado é o seu maior activo. Basta pensarmos nos
escândalos Enron e WorldCom, que para além de levarem essas empresas à
falência, custaram à economia norte-americana cerca de 40 mil milhões de
dólares.
A
Harvard Business Review publicou
recentemente um artigo que pretende dar resposta a esta questão: Como se lida com indivíduos com comportamentos pouco éticos,
especialmente se forem talentosos e difíceis de substituir?
Nele,
Tomas
Chamorro-Premuzic[1], enumera alguns exemplos extraídos da literatura académica sobre a maneira
de gerir empregados moralmente débeis:
Liderar
pelo exemplo: Tem de haver coerência entre o que as
chefias apregoam e a forma como actuam. As pesquisas provam que o nível de
moralidade dos líderes determina o grau em que os empregados percebem a
organização como sendo ou não ética. Para os gestores, a implicação é clara: se
quer que os seus empregados atuem com moralidade, comece por fazer o mesmo.
Isto é particularmente importante para os gestores diretos. Não adianta
prometer recompensas que sabe à partida que não pode proporcionar. Mas também
não adianta usar um discurso miserabilista, escudando-se na “crise” para não
recompensar os seus trabalhadores, se depois a empresa publica relatórios de
contas a propagandear aos accionistas os excelentes resultados daquele
exercício. A credibilidade da organização é essencial para mobilizar os seus
trabalhadores – e o “rosto” da organização junto dos colaboradores são as
chefias. Os estudos meta-analíticos demonstram que, quando os subordinados
confiam nos seus supervisores, são mais motivados e, logo, mais produtivos no
trabalho - por isso toda a gente fica a ganhar.
Apostar na meritocracia:
Conta-se que, há uns anos, no calor de
uma discussão sobre uma decisão estratégica, um administrador de uma grande
empresa não tinha mais argumentos para convencer um dos seus diretores e
ameaçou: "Não esqueça que o senhor
ocupa um cargo de confiança!" "Está enganado" – reagiu o director - "o cargo é de competência! Se fosse de
confiança quem estava no meu lugar era o seu filho." Muitas empresas
privilegiam a “confiança pessoal” em vez da competência. Involuntariamente, a
mensagem que é transmitida para os trabalhadores é que por muito que se
esforcem, os lugares de chefia serão sempre atribuídos a familiares e amigos
(onde se inclui o colega de partido, o facilitador ou outra figura do género) -
e não necessariamente aos que estão melhor preparados para exercer essas
funções.
As empresas que apostam na transparência – definindo
planos de carreira claros, para que os trabalhadores percebam quais os passos
que devem dar para serem promovidos até ao topo da hierarquia (desempenhando
funções diversificadas, adquirindo formação e experiência) – transmitem um
sentido de segurança, justiça e confiança aos seus trabalhadores. A certeza de
que vale a pena trabalhar seriamente pois as recompensas surgirão a médio/longo
prazo. Porque a confiança gera confiança.
Comprometimento:
As pesquisas mostram que a satisfação no trabalho é responsável
por alguns dos efeitos de moralização pessoal no comportamento profissional
contraproducente. Mesmo os indivíduos menos éticos terão mais probabilidade de
agir moralmente se estiverem comprometidos com o trabalho: se tiverem um
trabalho desafiante, se tiverem a noção que são uma peça importante da equipa e
que a sua performance pode
influenciar o resultado final; se se sentirem valorizados, se sentirem que são
tratados como adultos e lhes são dadas responsabilidades e oportunidades de
progressão na carreira. Dentro da mesma lógica, alienar os trabalhadores dos
processos de decisão, mostrar-lhes que por muito que se esforcem “não fazem
mais do que a sua obrigação”, deixa-los estagnar na carreira, pode aumentar o
descomprometimento moral até dos mais íntegros.
Invista
em formação moral. A maioria das pessoas desenvolve
as suas predisposições morais antes de chegar à idade adulta. Assim, as
organizações podem influenciar as escolhas éticas dos empregados através de
programas educacionais explícitos. Por exemplo, o "Ethics Resource
Center" relata que as empresas que implementam programas formais para
apoiar as escolhas éticas, como o whistleblowing (ie, a denúncia de
comportamentos ilegais), diminuem os comportamentos contraproducentes e as
condutas incorretas, além de aumentarem a satisfação dos empregados.
Reduza
as tentações: Como disse Oscar Wilde, "toda a gente pode ser boa no campo: aí não
há tentações". O comportamento ético é uma função, tanto das
personalidades das pessoas, como das situações em que se encontram. Toda a
gente tem um lado negro, mas os aspetos anti-sociais das nossas personalidades
têm muito mais probabilidade de vir à superfície em ambientes tóxicos ou situações
de pressão moral fraca. É difícil mudar a personalidade de alguém, mas os
gestores podem fazer muito para mudar o ambiente em que os seus colaboradores
vivem. Podem ajudar os colaboradores que são menos capazes de exercer o
autocontrolo, instituindo procedimentos que desencorajem esses comportamentos –
por exemplo: ao proibir que os colaboradores aceitem ofertas acima de 50
dólares – sejam elas quais forem – deixa de existir a tal “zona cinzenta” em
que meras ofertas de cortesia se tornam subornos/instrumentos de pressão.
Crie
uma cultura altruísta: Embora a cultura organizacional
não possa ser criada da noite para o dia, os relatórios meta-analíticos
demonstraram que uma cultura assente em valores altruístas (como a
“responsabilidade social corporativa”) desencoraja os comportamentos
profissionais sem ética. Por outro lado, uma cultura que promove apenas o
interesse próprio incentiva a lógica de que os “meios justificam os fins”. Mas atenção: não é suficiente incluir a
"integridade" como um valor organizacional nuclear - a maioria das
empresas já o fazem, juntamente com a "criatividade", a
"diversidade" e a "atenção ao cliente ". Mas isso de nada
adianta se forem meros chavões: palavras bonitas que se escrevem nos websites. O que é importante é persuadir
os trabalhadores que a organização valoriza verdadeiramente comportamentos
generosos e altruístas.
Claro
que, nesta altura, poderá estar a perguntar-se: não será possível, simplesmente,
não contratar pessoas desonestas? Isso é mais fácil de dizer do que de fazer.
Um gestor pode tentar aperceber-se da moralidade de um candidato através de
entrevistas ou questionários de avaliação pessoal cuidadosos. Mas, como foi
referido num artigo recente, existe "um
problema lógico com a auto-avaliação da integridade. As pessoas que não a
possuem especializam-se em manipulação e engano, o que torna as suas
auto-avaliações uma fonte duvidosa de informação".
E,
contudo, visto que a prevenção é claramente a melhor solução, os responsáveis
pelo recrutamento terão de confiar noutros meios: a avaliações pelos pares, a avaliações
360º (em que a organização avalia a relação do avaliado não só com os pares e
com as chefias mas também com os seus subordinados) e uma verificação rigorosa
das referências. O comportamento passado é o melhor meio de prever o
comportamento futuro, pelo que obter dados fiáveis acerca da reputação dos
candidatos é a melhor maneira de avaliar a sua integridade. Se não o fizermos, os
comportamentos imorais continuarão a ser o "assassino silencioso" de
carreiras individuais e da eficácia organizacional.
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
[1]Tomas Chamorro-Premuzic é uma autoridade internacional em perfis de
personalidade e testes psicométricos. É professor na University College London
(UCL), vice-presidente de investigação e inovação na Hogan Assessment Systems,
tendo leccionado anteriormente na London School of Economics e Universidade de
Nova Yorque. É co-fundador da metaprofiling.com
e autor do livro
Confidence: Overcoming Low Self-Esteem, Insecurity, and Self-Doubt.
Postado por Davide Gouveia às segunda-feira, agosto 11, 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
“Gestor-Coragem”
Artigo redigido por António Machado Vaz*
AMV13|2013-14
Recentemente
conheci Frederico Magalhães, um empresário Português que é um exemplo de
coragem e resiliência. Depois de subir ao nível mais alto a que um empresário
pode ambicionar, Frederico perdeu tudo – mas voltou a reconstruir a sua vida.
O texto que se
segue resulta de uma conversa que tivemos e de um artigo que foi publicado
sobre ele na revista EXAME. Uma história que, sem dúvida nenhuma, merece ser
contada.
Frederico nasceu e
cresceu em Moçambique, país de onde saiu em 1974, quando começou a guerra
civil. “Morreu imensa gente. Pensei na
sorte, no privilégio que era poder ir embora dali, apenas porque o meu pai
tinha acesso a uma avioneta” – lembra Frederico Magalhães. Por isso,
durante toda a sua vida, uma ideia nunca lhe saiu da cabeça: “Prometi a mim e a Deus que haveria de voltar
para ajudar a minha terra e os meus amigos”, afirma com nostalgia na voz.
Pouco tempo depois
de regressar a Portugal, voou para o Reino Unido, onde terminou a licenciatura
em Engenharia Mecânica, em 1980. Seguidamente, concluiu o doutoramento em
Automação na Universidade de Cranfield, onde, em meados dos anos 80, acumulava
as funções de professor e de investigador, dirigindo o departamento de
robótica, onde trabalhava com empresas como a Rolls-Royce ou a Jaguar. “Percebi que, se queria ganhar dinheiro,
tinha de montar uma empresa. Em 1988 associei-me a dois alunos, um alemão e um
inglês” e fundaram a Integral Vision, empresa que, em 1993, empregava já 50
pessoas - mais de metade das quais com mestrados ou doutoramentos. “Tínhamos de tomar uma decisão porque o
mercado estava a amadurecer. Ou nos deslocávamos para os Estados Unidos e
continuávamos a crescer, ou eramos comprados.” A oferta feita pela Medar
Inc. era irrecusável e a Integral Vision foi alienada por 10 milhões de euros.
“Eu detinha 25% do capital da empresa.
Vendemos a Integral Vision e ficámos com 10% da Medar”. Durante dois anos
viajou entre Portugal, os EUA e o Reino Unido para fazer a transferência de
conhecimento entre as duas sociedades.
Em 1996 esteve
prestes a ocupar o cargo de Chief
Operations Officer da Medar Inc. “Fui
com a minha mulher ao Michigan para procurar casa, escolher as escolas, comprar
carro… mas pedi um mês de férias para visitar Moçambique”. Quando chegou a
Chimoio, na Beira, a terra onde cresceu, não pôde fugir da sua promessa. “Estava à venda a Textáfrica, a empresa que o
meu pai tinha fundado em 1944 enquanto trabalhava para o Banco Português do
Atlântico”.
Em nome de um sonho abdicou de um futuro no país mais rico do mundo e investiu, juntamente com o pai, Manuel Magalhães, numa das regiões mais pobres do planeta. Ficou responsável por uma fábrica com 60 mil metros quadrados, 2 mil hectares de terreno, 2500 trabalhadores, ima aldeia, escolas, clinica…
“Nunca pensei que iria perder dinheiro. Tinha
um projecto, a preocupação era pôr toda a maquinaria a funcionar. E passados
dois meses estávamos a exportar tecidos para a Suiça”, afirma. “Em Moçambique as coisas correram mal por
todas as razões menos as lógicas”: Legislação fundamental para abrir o
mercado interno ao consumo foi publicada mas nunca aplicada. “Queria renovar a maquinaria e tinha um
financiamento do BEI de 18 milhões de euros. Passaram-se 1998, 1999, 2000 e a
lei nunca entrou em vigor. Não fiz aquele investimento e a fábrica fechou em
2000. Se o Governo Moçambicano tivesse dito logo no inicio que não conseguia
proteger o mercado interno, tínhamos aplicado outra estratégia.”
Mas uma desgraça nunca vem só. À medida que a situação se degradava, a mulher de Frederico ia-lhe pedindo que desistisse, que pensasse na família, que fossem embora dali. Frederico ia-lhe pedindo que aguentasse. Só mais um esforço. Não podia desistir enquanto ainda houvesse uma réstia de esperança de recuperar a fábrica. No final de 1999, a mulher de Frederico tem um desastre de carro. Frederico fica viúvo e passa a ser o único responsável pelos 4 filhos. “Desatinei durante um ano e meio. Só recomecei a trabalhar em Abril de 2001.” Reactivou a Sisqual, uma empresa em Matosinhos que fundara em 1992, pouco antes de vender a firma britânica, e que se dedica ao desenvolvimento de equipamentos e programas informáticos para recolha, backup e transferência de dados, utilizando suportes fixos e móveis. Em 2004 facturou 1,3 milhões de euros – um crescimento de 50% face ao ano anterior – sendo, actualmente, uma empresa com uma posição sólida em Portugal e com escritórios em Angola, Cabo Verde, Moçambique e Brasil.
Frederico diz que não desistiu “porque não podia desistir. Tinha uma família que dependia de mim”. Diz também que, durante os períodos de maior desespero, houve dois aspectos que lhe permitiram manter a sanidade: “o desporto – que me permitia distrair-me e descansar a cabeça - e a minha fé em Deus. Apesar de tudo, acho que sou um privilegiado. A convivência que tive com os meus amigos africanos, a forma como eles encaram a vida, permitiu-me pôr as coisas em perspectiva”.
Sem dúvida uma
história inspiradora, que nos mostra que a vida não é feita só de conquistas;
que as tragédias acontecem – muitas vezes por fatores que estão fora do nosso
controlo; mas que é sempre possível “dar a volta” a uma situação desesperante.
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às quarta-feira, junho 18, 2014
domingo, 8 de junho de 2014
O Princípio 90/10
Artigo redigido por Davide Gouveia*
DG67|2007-13|14
Que principio é este?
O que isso quer dizer? Realmente, não podemos evitar
que o carro enguice, um avião atrase, um semáforo fique vermelho, etc.
Mas, você é quem determinará os outros 90%.
COMO? Com a sua reação.
Exemplo: Você esta tomando o café da manhã com sua família. Sua filha,
ao pegar a xícara, deixa cair café na sua camisa branca de trabalho.
Você não tem controle sobre isto, mas terá sobre o que acontecerá em
seguida.
Então, você se irrita. Repreende severamente sua filha, ela começa a chorar. Você censura sua
esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa e daí, tem o
prosseguimento de uma batalha verbal. Contrariado e resmungando, você
vai trocar a camisa e voltando, encontra sua filha chorando mais ainda e
ela acaba perdendo o ônibus para a escola. Sua esposa vai para o
trabalho também contrariada e você tem que levar sua filha de carro para
a escola. Como esta atrasado, dirige em alta velocidade é barrado por
um guarda de trânsito e multado após 15 minutos de discussão. Deixa sua
filha na escola, que desce sem se despedir de você e ao chegar ao
escritório, percebe que esqueceu de sua maleta.
Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Você fica ansioso para o dia terminar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com você. Por quê? Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.
Pense: por que seu dia foi péssimo?
1. Por causa do café?
2. Por causa de sua filha?
3. Por causa de sua esposa?
4. Por causa da multa de trânsito?
5. Por sua causa?
A resposta correta é a de número 5, pois o fator determinante foi a ausência de controle sobre o acontecido.
De outra forma:
O café cai em sua camisa. Sua filha chora e você diz gentilmente a ela: "Esta bem querida, você só precisa ter mais cuidado".
Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui dando adeus com a mão.
O café cai em sua camisa. Sua filha chora e você diz gentilmente a ela: "Esta bem querida, você só precisa ter mais cuidado".
Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui dando adeus com a mão.
Notou a diferença?
Duas situações iguais com finais opostos. Portanto se alguém fizer um comentário negativo, procure não levar a serio, evitando assim ser afetado e tirando sua energia.
Duas situações iguais com finais opostos. Portanto se alguém fizer um comentário negativo, procure não levar a serio, evitando assim ser afetado e tirando sua energia.
Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10. Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentários negativos te afetem. Reaja apropriadamente e o seu dia não focará arruinado.
Como reagir a alguém que te atrapalha no trânsito? Você fica transtornado? Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe? O que acontece se você perder o emprego? Por que perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará. Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho. Seu vôo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por que manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada. Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só piora as coisas.
Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo. Milhares de pessoas estão sofrendo de um "stress" que não vale a pena, criando sofrimentos, problemas e dores de cabeça. Por isso vale conhecer e praticar o Princípio 90/10!
* Manager do Blogue desde Outubro de 2007.
Postado por Davide Gouveia às domingo, junho 08, 2014
NÃO TE DEIXES DE AVENTURAS [1]
Artigo redigido por António Machado Vaz*
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
AMV11|2013-14
Ao contrário dos pobres - cujos pilares de vida
foram devastados nos últimos anos pela realidade e que, cada vez mais, fazem um
esforço tremendo para pagar as contas da água e da luz a tempo e horas ou comer
um bife - a classe média/alta lusitana
vive ancorada em mitos.
Casa grande com garagem para 3 carros e imensos halls, na Foz ou na Lapa, Lexus ou BMW,
miúdos nos colégios privados, férias na neve (Chamonix), férias de água quente numa qualquer ilha das Caraíbas,
roupa de marca, relógios daqueles franceses com 3 nomes, almoços nos
restaurantes da moda (a € 100 por cabeça), uma parafernália indizovel de
gadgets, TV Cabo.
O que me surpreende, quando analiso e penso na vida
dos meus amigos muito bem sucedidos lá fora, que trabalham em gabinetes 3x2m na
MTV em Los Angeles, que moram em casas com 60 m2 no Harlém, em Nova York, que
trabalham na Goldman Sachs mas se deslocam de metro.
Obviamente que as coisas têm importância relativa
consoante a idade, o que já se conseguiu, os planos de vida, os hábitos locais,
etc.
Na minha circunstância actual (com cancro), pensar
o sentido da vida faz um pouco mais de sentido do que para a maioria das
pessoas. Olhando para trás, só fica a pergunta: “Viveste a vida que pensaste,
quiseste, escolheste?”
A vida deste segundo grupo que falei é uma vida
consciente? É a vida que eles determinaram que seria, a que os faria mais
felizes?
Imaginemos por um momento uma família feliz: pai,
José, Engenheiro de sistemas na PT (2.500 a 3.000 euros por mês), mãe
professora, filhos bons alunos, sem problemas. Conseguem ser felizes encarando um futuro em que os dias se repetem,
sempre iguais?
Um dia, o pai chega a casa, junta a família e diz:
“Olhem, não gosto do que faço 10 horas
por dia, sou infelicíssimo, perdi o líbido, tomo quilos de pastilhas para
dormir, não me sinto bem, a minha vida não faz sentido. Toda a vida quis ser
dono do meu tempo, quis usar o tempo para fazer coisas diferentes, para ter uma
vida rica, cheia de sentido, estou-me a cagar prós óculos de marca e para as
gravatas XPTO. Quero apenas ser dono de mim e estar mais tempo convosco e fazer
coisas novas. Concorri e fui aceite no liceu da Amadora. Fiz contas e, se
vendermos a casa e formos viver para um T2 na Rinchoa, conseguimos viver acima
da sobrevivência e eu poderei chegar a casa mais cedo e brincar com os miúdos;
poderei finalmente aprender a tocar viola – velho sonho de 30 anos; poderei
correr e pôr-me em forma; poderei colaborar no projecto dos “sem-abrigo” locais
em que a vossa mãe sempre quis participar – vamos participar juntos…
Materialmente, para todos, a vida não será tão abundante (acabou-se o Nesquik,
a Sport TV e a neve) mas estaremos muito mais tempo juntos, de melhor humor.
Claro que haverá menos Urban e ténis Adidas – mas por cá continuarão as
musicas, os livros, as conversas, mais jogos de futebol. Começaremos todos a
pintar, mantêm-se os jantares com amigos (agora em casa, em vez de no
restaurante). E o Pedro Nunes é um bom liceu…”
Como somos
tão facilmente capazes de recusar a felicidade?
Melhor: porque
é que ninguém, conhecendo a sua matriz de felicidade, é capaz de mudar de vida?
Esta história é uma ilustração incompleta. Teremos
de levar em consideração muitos outros factores e, obviamente, o que querem a
mulher e os filhos, os amigos, o resto da família. Mas digam lá a sério: a alternativa de felicidade apresentada não
parece irresistível? Estatisticamente, porém, quantos mudam?
Eu conheci uma ou duas pessoas… e mesmo assim, com
risco limitado.
Há 3 razões para não mudarmos: não somos capazes de
desenhar um modelo de vida novo; tendo tudo, não percebemos qual é o incentivo
à mudança; tememos cansar-nos do que ainda nem sequer experimentamos. “E se
depois me farto da guitarra?” Assim, deixamo-nos contaminar pela resposta dos
grupos de referência e pelas nossas circunstâncias, além da desconfiança que
geraríamos nos outros, esses que naturalmente se afastariam dos novos freaks do bairro… Aceitamos a frase:
DEIXA-TE DE AVENTURAS…
[1]
Último texto de Manuel Forjaz para a revista “Sábado”, enviado por ele um dia
antes de morrer, em casa, no dia 6 de Abril de 2014 (texto publicado na edição
de 10 de Abril de 2014). A sua vida mudou por causa do envelope azul que lhe
foi entregue no hospital CUF, em Março de 2010. Manuel Forjaz, então com 47
anos, não fumador, ficou a saber que tinha um nódulo no pulmão esquerdo. Quando
recebeu a noticia do cancro, o empresário não chorou, como garantiu na sua
auto-biografia “Nunca te distraias da Vida”, lançada em Fevereiro passado.
Pensou no pai, Nuno, e no irmão mais velho, Gonçalo, ambos vitimas de cancro: o
primeiro morreu em Setembro de 2006, o segundo em Março de 2012. “Manel” - como
era tratado pelos mais próximos – manteve a doença em segredo até 17 de Maio de
2010, quando escreveu uma carta aos amigos a revelar que afinal não estivera de
férias, em Xangai, e que não era um super-homem. Estivera retirado, a receber
mais uma dose de quimioterapia que o deixara debilitado. Nas conferências que
dava pelo país, fazia sempre uma piada. “Se precisarem de dinheiro, liguem. Se
precisarem de trabalho, liguem. Mas eu sei que vocês não vão ligar. Estão todos
gordos!” Como disseram os amigos no dia do seu funeral, Manel “era uma carta
fora do baralho”.
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às domingo, junho 08, 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Motivação e Auto-confiança
Artigo redigido por Davide Gouveia*
DG66|2007-13|14
DG66|2007-13|14
Esta
é uma pergunta retórica. Para fazerem introspecção. É preciso pensar nisto de
vez em quando porque “o
uso desenvolve, o não uso atrofia” (Lamarque).
Antes, de me centrar na resposta a esta pergunta:" Quem é que motivaram hoje?", vamos analisar o exemplo de Michael Phelps:
História:
O Phelps é o maior atleta olímpico da história. 18 medalhas olímpicas. Foi
entrevistado para o “60 minutos” e sabem onde é que ele as guarda?
Embrulhadas numa t-shirt velha. Quando as desembrulhou, o jornalista começou
a contá-las e eram só 17 medalhas. “Pois só” respondeu o Phelps. “onde está a
outra?”. “Não sei… só agora é que reparei que falta uma”.
|
Se eu tivesse uma medalha olímpica – o símbolo da excelência absoluta - Punha-a num quadro, num lugar bem vísivel
à porta de casa, com seguranças, que era para que toda as pessoas que lá passassem, vissem MUITO BEM!
Pensa que o Phelps se dedicou ao seu desporto com as medalhas em mente? Não. Para ele foram uma consequência da motivação que ele tinha. A maior parte das pessoas acha a ideia das medalhas muito apelativa, mas depois, quando é preciso trabalhar no duro, fogem como ratos!
A ideia é só uma:
Ou fazemos diferente ou não fazemos falta nenhuma no
mercado de trabalho!
E fazer diferente pode ser a vender sacolé (um geladinho aqui no Brasil preparado dentro de pequenos saquinhos de plástico)… mas com
um sorriso - isto é ser diferente dos outros - não é preciso inventar a roda!
Temos de nos diferenciar. De fazer diferente dos outros!
Quando se pergunta nas empresas se as pessoas estão motivadas ficam todos a olhar uns para os outros. Mas como está lá o chefe, dizem todos o mesmo: “Estamos… Graças a deus…!”.
E vocês? Quem é que motivaram hoje?
Temos de nos diferenciar. De fazer diferente dos outros!
Quando se pergunta nas empresas se as pessoas estão motivadas ficam todos a olhar uns para os outros. Mas como está lá o chefe, dizem todos o mesmo: “Estamos… Graças a deus…!”.
E vocês? Quem é que motivaram hoje?
Se
vocês não motivam ninguém, também não são motivados. Têm o que merecem. Dêem
vocês o primeiro passo! Isto é a tabuada dos 2 da psicologia: “comportamento
gera comportamento”. São transacções comportamentais. “Somos todos átomos em
colisão”
Depende de nós! Apanhem as pessoas em flagrante… a fazer as coisas bem feitas! É um paradigma diferente!
Depende de nós! Apanhem as pessoas em flagrante… a fazer as coisas bem feitas! É um paradigma diferente!
Por exemplo: quando o homem do talho (açougue - no Brasil) tira a gordura das costeletas. Nós agradecemos? Reconhecemos o esforço adicional? Ou pensamos “não fez mais que a obrigação dele”?
-->
História: Dois homens, seriamente
doentes, ocupavam o mesmo quarto num hospital. Um deles ficava sentado na
cama durante uma hora todas as tardes, para drenar líquido dos pulmões. A sua
cama ficava próxima da única janela existente no quarto. O outro homem era
obrigado a ficar deitado de bruços na sua cama o tempo todo.
Eles conversavam muito. Falavam sobre as suas
mulheres e famílias, as suas casas, os seus empregos, sobre o serviço militar
e onde costumavam ir nas ferias. E todas as tardes, quando o homem perto da
janela podia sentar-se, ele passava todo o tempo descrevendo ao seu
companheiro todas as coisas que ele podia ver através da janela. O homem na
outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era ampliado e
animado pelas descrições do companheiro.
Ele dizia que da janela dava pra ver um parque
com um lago bonito. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças
navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no
meio das flores e estas possuíam todas as cores do arco-íris. Grandes e
velhas arvores cheias de elegância na paisagem, e uma fina linha podia ser
vista no céu da cidade. Quando o homem perto da janela fazia suas descrições,
ele o fazia de modo primoroso e delicado, com detalhes e o outro homem
fechava seus olhos e imaginava a cena pitoresca. Uma tarde quente, o homem
perto da janela descreveu que havia um desfile na rua e embora ele não
pudesse escutar a musica, ele podia ver e descrever tudo.
Os dias foram passando. O homem que ficava perto da janela morreu pacificamente durante a noite. Assim que julgou conveniente, o outro homem pediu a enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela. Vagarosamente, pacientemente, ele apoiou-se nos cotovelos para conseguir olhar pela primeira vez pela janela. Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Ele se esticou ao máximo, lutando contra a dor para poder olhar através da janela e quando conseguiu faze-lo deparou-se com um muro todo branco. Ele então perguntou a enfermeira o que teria levado seu companheiro a descrever-lhe coisas tão belas, todos os dias se pela janela só dava pra ver um muro branco?
A
enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada mesmo
que quisesse. Talvez ele só estivesse pensando em distrai-lo e alegrá-lo um
pouco mais com suas historias.
|
Sem dúvida, há uma tremenda alegria em fazer outras
pessoas felizes, independente de nossa situação atual.
Há que motivar os outros: “comportamento gera comportamento”!
Há que motivar os outros: “comportamento gera comportamento”!
“Que aquele que deseje gozar um bom
futuro, não desperdice nada do seu presente” (Mahatma Gandhi).
O problema é que em Portugal, quanto mais desgraçadinho, melhor!
Ken Blanchar dizia que “Portugal sofre de um fenómeno de QUAQUING.” Estamos sempre a choramingar; a queixarmo-nos (se fosse modalidade olímpica, ganhávamos!) Qualquer coisa e já estamos: “QUA, QUA, QUA”!
Até fico com dor de barriga, com esta atitude! Se calhar porque estou no Brasil, e já mudei um pouco de mentalidade! Sim, se alguma coisa este país me tem proporcionado é a capacidade de não desistir, ficando aqui no Brasil por muitos anos ou não, esta "vitalidade" tem sido uma mais-valia tremenda para mim!
Como alguém me dizia ontem, nem pareces português! A quem eu respondi, sou português, com um tremendo orgulho, adoro o meus país, que tem pessoas competentíssimas e altamente motivadas, do melhor que o mundo tem para oferecer a nível profissional, o problema é que nos últimos anos fomos aglutinados por uma onda de pessimismo provocada por uma gestão desgovernada a nível publico e afirmo PRIVADO, com muitos gestores "cristalizados" no poder sem competência nenhuma. Mas, isso será conversa para uma outra publicação!
O mundo está cheio de gente que “não podia”!
Ai porque eu não sou bonito!
Ai porque eu não sou inteligente!
Ai porque eu não sou da cidade!
Há gente que não tem nada disso e que consegue! Nós também conseguimos!
“Perseguir objectivos ou esperar
que a vida aconteça é a diferença entre o sucesso e a mediocridade” (John Kennedy)
Objectivos
realistas e mensuráveis!
(Thomas Edison)
No pain, no gain!
A maior parte das dúvidas estão na nossa cabeça. Prepara-te e vai à luta!
“As nossas dúvidas são traidoras” (William Shakespeare)
Prefiro uma má-certeza do que uma boa dúvida!
Ninguém dá nada a ninguém!
Terreno fértil: a sociedade não é abstrata. Todos nós somos responsáveis. Cabe-nos a nós fazer alguma coisa.
Decore a sua alma: soft skills!
E nunca se esqueça: Temos um dedo para apontar mas temos três que ficam a apontar para nós próprios!
* Manager do Blogue desde Outubro de 2007.
Nota Final: Este artigo foi redigido tendo como base de pensamento as ideias centrais da palestra "Fúria de Vencer" do Prof. Jorge Sequeira na Porto Business School.
Postado por Davide Gouveia às segunda-feira, abril 14, 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Porque é que as empresas não valorizam os seus trabalhadores?
Artigo redigido por António Machado Vaz*
AMV10|2013-14
Porque é que as empresas
não valorizam os seus trabalhadores?
1 - Este fim-de-semana foi lá a
casa jantar o meu amigo Joaquim. O Joaquim tem a minha idade e trabalha há 10
anos na Sonae (uma das maiores empresas Portuguesas e um colosso do sector da
distribuição e das telecomunicações). A certa altura, queixou-se que tinha sido
preterido para um cargo de chefia (nada de de especial. Não era para Diretor,
nem nada que se pareça. Falamos de uma mera chefia intermédia). Apesar de estar
há 10 anos no mesmo departamento, apesar de ser altamente experiente e de ter
um conhecimento privilegiado do sector, o Joaquim não foi promovido. O diretor do
seu departamento tinha ido buscar ao mercado uma pessoa para ocupar o cargo
que, numa progressão natural de carreira, seria seu. Um cargo bem remunerado
(ao contrario do dele). E perguntava-me o Joaquim: “Onde está a justiça nisto?! Onde está a recompensa de 10 anos de
trabalho bem feito, numa área tecnológica - e portanto altamente diferenciada?!”
Depois falou no Belmiro de
Azevedo, chairman do grupo que, um
belo dia, se saiu a dizer que “as pessoas
deviam pagar para trabalhar na Sonae” (como isso não é possível, limita-se
a pagar-lhes o mínimo possível...) Pus-me a pensar nisso e conclui o seguinte:
apesar de chocante, a ideia de Belmiro corresponde a uma determinada visão do
mundo – e essa visão não é desprovida de sentido[1]:
a ideia é que o Joaquim, ao sair da faculdade, tem um conjunto de
ferramentas... que de pouco valem porque
ele não sabe como as usar no mundo real. Ele apenas conhece a teoria. Em 10
anos, a Sonae deu-lhe experiência pratica (a troco do retorno correspondente -
isso está fora de questão). Neste momento, o Joaquim é um profissional
diferenciado, que trás valor acrescentado a quem o contratar (e que, por isso,
merece um salário melhor, mais responsabilidades, etc).
O passo lógico seria... ele
aproveitar esse capital de conhecimento e experiência e "ir à vida
dele" – i.e.: ir rentabiliza-lo para outro lado.
Consequências que daí adviriam:
ele evoluía (numa nova empresa ou num negócio próprio) e a Sonae, das duas,
uma: ou o substitui por alguém mais caro (alguém com as mesmas competências mas
que tem de ir recrutar ao mercado) ou escolhe começar o processo de novo
(apostando em alguém saído da faculdade, sem experiência, que vai ter de formar
do "zero" – o que também tem um custo associado).
Ou seja: se o Joaquim fizer o que
é suposto e evoluir, a Sonae ficará sempre a perder. E se houver muitos "Joaquins
", a determinada altura a Sonae vai ter de começar a desenvolver planos de
carreiras e formas de reter as pessoas que demorou anos a desenvolver.
Problema: neste momento, o nosso mercado não abunda em
oportunidades e os "Joaquins" também não são muito dados a arriscar.
E se não saem pelo seu próprio pé, as "Sonaes" chegam à conclusão que
compensa mantê-los estagnados: para quê pagar mais se eles não se vão embora?
Para quê motiva-los se, mesmo insatisfeitos, eles continuam altamente
produtivos?
2 - Mas o problema para a empresa
pode ser mais complexo do que isso: e se, afinal, o Joaquim não constituir a
regra mas antes a exceção? E se já tiver havido vários trabalhadores com
elevado potencial que se foram embora? Trabalhadores com a combinação certa
entre conhecimento técnico e experiência? Entre adaptação aos valores da empresa
e conhecimento do negócio? E se a empresa não tiver a capacidade de reter os
melhores? E tiver apenas ficado com os acomodados e com aqueles que não têm
valor para serem recrutados pelas outras empresas do mercado?
A Sonae é conhecida por ir ao
mercado recrutar os melhores: seja os melhores alunos das faculdades (com
salários baixos, que se mantêm assim durante anos); seja os melhores
profissionais séniores (para os cargos dirigentes - e, esses sim, são muito bem pagos. Se tivesse uma política
de retenção de talento, não pouparia dinheiro? Ir recrutar ao mercado fica
sempre mais caro. Se apostasse na "prata da casa", garantindo um
aumento gradual de responsabilidade (e salário), a empresa estaria
simultaneamente a garantir uma aposta mais segura (em trabalhadores que já
estão adaptados à sua estrutura) e um maior retorno (dado que,
proporcionalmente, não terá de pagar salários tão altos aos cargos dirigentes).
3 – A certa altura, o meu amigo
Joaquim - talvez por estar desiludido com a situação - disse: "Nunca mais chega a reforma pra eu me poder
dedicar aos projectos que realmente gosto!..." O Joaquim tem 35 anos
(!!!). Fala como se tivesse chegado ao fim da linha. Como se não houvesse
esperança e já tivesse feito tudo o que podia. Não fez: o problema dos
trabalhadores portugueses é que têm qualidade mas não a sabem comunicar. O meu
problema também é esse. Por isso é que escrevo artigos e frequento o Toastmasters - para expor o meu trabalho
e melhorar a minha capacidade de exposição oral. Porque cheguei à conclusão que
consigo prender a atenção das pessoas... mas que não as consigo verdadeiramente
emocionar. E, nesta fase da vida, não é enviando CVs que as oportunidades
surgem. É comunicando qualidade sempre que possível; é impressionando quem tem
contacto connosco no mercado.
4 - A minha conclusão é que
estamos notoriamente num estágio de desenvolvimento abaixo de outros mercados.
Só com maior espírito competitivo é que as empresas passarão a tentar potenciar
todo o potencial dos seus trabalhadores - porque só com trabalhadores motivados
é que é possível produzir verdadeira inovação, excelência, vantagens
competitivas. Só assumindo verdadeiramente que "as pessoas são o nosso maior activo" (deixando de ser esse
apenas um chavão, que fica bem dizer mas que está longe de ser realmente
implementado nas empresas) é que conseguiremos ter produtos e serviços de
qualidade, realmente inovadores e com valor acrescentado para o cliente.
Mas tudo está interligado: e só
com trabalhadores qualificados, competentes e competitivos – e que saibam
comunicar essa maior qualidade - é que as empresas se sentirão pressionadas a valorizar
os seus profissionais e a assumir verdadeiras políticas de RH.
[1]
Belmiro é um homem admirável, de origens humildes mas que, actualmente, tem uma
fortuna avaliada em 2,5 mil milhões (dados da Forbes de 2014). Sendo um homem
polémico, sempre fez questão de ter independência para dizer o que lhe vai na
alma sem medo das consequências - e isso implica não estar ligado aos centros
de poder político.
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às domingo, abril 13, 2014
sábado, 12 de abril de 2014
Uma Questão de Atitude
Artigo redigido por António Machado Vaz*
AMV9|2013-14
Como é que se doma um
elefante?
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| Fonte da imagem: fasdapsicanalise.wordpress.com |
O truque é amarra-lo a uma arvore grossa quando ele é pequeno. Nos
primeiros tempos, ele vai lutar com todas as suas forças para se libertar –
mas, como é pequeno, não consegue. E desiste.
Entretanto, o elefante cresce e transforma-se no animal mais forte que
existe na natureza. Com toda aquela força, ele podia facilmente libertar-se do
seu cativeiro… e ir à vida dele.
Mas não o faz porque se lembra que em tempos falhou – conforma-se com a sua
situação e nunca mais volta a tentar (daí é que vem a expressão “memória de
elefante”).
Onde há muitos elefantes é na India – e foi precisamente para aí que uma
empresa de calçado resolveu expandir a sua actividade. Resolveu, então, mandar
para lá dois vendedores, para estudarem o mercado. Um foi para o Norte e outro para o
sul.
Ao fim de uma semana, o
do Norte liga pra sede e diz: “Chefe, vou
voltar pra Portugal. Estive a estudar o mercado e não temos hipótese nenhuma. Ninguém aqui usa sapatos”.
No dia seguinte, liga o
vendedor que estava no Sul: “Chefe, é
melhor comprar um cofre maior, que o que temos não vai dar pra tanto dinheiro!
Vamos ficar ricos! Estive a dar uma volta por esta região e clientes não
faltam: sabia que… ninguém aqui usa
sapatos!?”
Costuma-se dizer que a
realidade é um conceito relativo: Neste caso, onde um vê o desastre e o outro
vê uma oportunidade.
A mentalidade – a atitude de cada um – é que faz toda a diferença. Porquê?
Porque a excelência
das nossas acções reside na qualidade dos nossos pensamentos. O
pensamento antecede a acção – e se alimentamos as nossas dúvidas, isso é meio
caminho andado para que se dê a chamada profecia
auto-realizavel: Vejam o caso do vendedor que diz “não vamos conseguir”:
Se eu acho que não vou conseguir,
então não me vou aplicar; não me vou preparar devidamente (para
quê!?) - e aí as probabilidades de ter sucesso diminuem.
E, quando a coisa corre mal, vem o comentário o típico “eu não dizia
que não era capaz?!”
A profecia concretizou-se… Tal como o
elefante, estamos tão convencidos que não somos capazes, que já entramos na
luta derrotados.
Por isso é que é importante ter auto-confiança / pensamento positivo.
Mas atenção: ser
optimista nao é ser lírico. Não é fugir aos problemas. Não é pensar: “tudo vai correr bem… mesmo que eu não faça
nada por isso”.
O
vendedor optimista vai dizer: sim senhor, eu vou conseguir. MAS VOU CONSEGUIR
PORQUÊ?
·
PORQUE me preparei bem - porque cheguei onde
cheguei graças ao fruto do meu trabalho (ninguém me fez favores);
·
PORQUE o produto é bom – já resultou noutros
mercados.
·
PORQUE há quem o queira comprar.
O
que é que me falta? Saber onde estão os clientes? Então vou-me informar. Posso
não encontrar clientes à primeira, mas não vou desistir! Vou atrás deles.
Isto
é auto-confiança! Eu estou a (1) mobilizar os meus recursos para a
acção, (2) fico mais concentrado e,
gradualmente, (3) estou a aumentar as
probabilidades de ter sucesso.
Mas será esta fórmula infalível? Isto traz a garantia de alguma coisa?… Meus amigos, vou-vos dar uma novidade: neste
mundo, ninguém tem a garantia de nada.
E
a beleza do jogo da vida é essa mesma: é que o resultado é indefinido até final:
Há pessoas que entram no jogo já a perder 1-0 mas que dão a volta ao resultado…
Nós dizemos:
Ai mas eu não posso - porque não sou bonito!
Ai mas eu não posso - porque eu não sou inteligente!
Ai mas eu não posso - porque eu não sou de cá!
Mas temos muitos exemplos de gente que “não podia” e deu a volta ao
resultado:
· O Américo Amorim
não tem nenhum curso e chegou onde chegou;
· O Cristiano Ronaldo
nasceu num bairro de lata na Madeira e chegou onde chegou;
· O Barack Obama,
quando nasceu, os negros não podiam votar – quanto mais ser eleitos para o que quer
que fosse!
Já ouviram falar do blade runner? (não,
não estou a falar do filme…) O blade runner é Óscar Pistorius, que se chama
assim porque nasceu sem pernas. Corre com 2 próteses. E é tão bom que, aqui há
uns anos, se discutiu se ele podia ser admitido em competições oficiais … porque
podia ter uma vantagem em relação aos outros… Isto sim é dar a volta às
circunstâncias e não se conformar com o seu destino! De repente, este homem pôs
toda a gente a discutir se afinal, em vez de uma deficiência, ser amputado não
será, ao invés, é uma vantagem!...
Com exemplos destes,
como é que nós – que TEMOS TUDO – podemos dizer que não conseguimos?!
O que mais há neste
mundo são pessoas inteligentíssimas mas que nunca fizeram coisíssima nenhuma na
vida - porque, tal como o elefante, se conformam com o seu destino e desistiram
antes sequer de verdadeiramente tentar.
Lembrem-se:
o único que te pode dizer que não
consegues és tu mesmo – e mesmo assim, tu não precisas de ouvir!”
Discurso Oporto Toastmasters Club - António Machado Vaz:
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às sábado, abril 12, 2014
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