domingo, 13 de abril de 2014
Porque é que as empresas não valorizam os seus trabalhadores?
Artigo redigido por António Machado Vaz*
AMV10|2013-14
Porque é que as empresas
não valorizam os seus trabalhadores?
1 - Este fim-de-semana foi lá a
casa jantar o meu amigo Joaquim. O Joaquim tem a minha idade e trabalha há 10
anos na Sonae (uma das maiores empresas Portuguesas e um colosso do sector da
distribuição e das telecomunicações). A certa altura, queixou-se que tinha sido
preterido para um cargo de chefia (nada de de especial. Não era para Diretor,
nem nada que se pareça. Falamos de uma mera chefia intermédia). Apesar de estar
há 10 anos no mesmo departamento, apesar de ser altamente experiente e de ter
um conhecimento privilegiado do sector, o Joaquim não foi promovido. O diretor do
seu departamento tinha ido buscar ao mercado uma pessoa para ocupar o cargo
que, numa progressão natural de carreira, seria seu. Um cargo bem remunerado
(ao contrario do dele). E perguntava-me o Joaquim: “Onde está a justiça nisto?! Onde está a recompensa de 10 anos de
trabalho bem feito, numa área tecnológica - e portanto altamente diferenciada?!”
Depois falou no Belmiro de
Azevedo, chairman do grupo que, um
belo dia, se saiu a dizer que “as pessoas
deviam pagar para trabalhar na Sonae” (como isso não é possível, limita-se
a pagar-lhes o mínimo possível...) Pus-me a pensar nisso e conclui o seguinte:
apesar de chocante, a ideia de Belmiro corresponde a uma determinada visão do
mundo – e essa visão não é desprovida de sentido[1]:
a ideia é que o Joaquim, ao sair da faculdade, tem um conjunto de
ferramentas... que de pouco valem porque
ele não sabe como as usar no mundo real. Ele apenas conhece a teoria. Em 10
anos, a Sonae deu-lhe experiência pratica (a troco do retorno correspondente -
isso está fora de questão). Neste momento, o Joaquim é um profissional
diferenciado, que trás valor acrescentado a quem o contratar (e que, por isso,
merece um salário melhor, mais responsabilidades, etc).
O passo lógico seria... ele
aproveitar esse capital de conhecimento e experiência e "ir à vida
dele" – i.e.: ir rentabiliza-lo para outro lado.
Consequências que daí adviriam:
ele evoluía (numa nova empresa ou num negócio próprio) e a Sonae, das duas,
uma: ou o substitui por alguém mais caro (alguém com as mesmas competências mas
que tem de ir recrutar ao mercado) ou escolhe começar o processo de novo
(apostando em alguém saído da faculdade, sem experiência, que vai ter de formar
do "zero" – o que também tem um custo associado).
Ou seja: se o Joaquim fizer o que
é suposto e evoluir, a Sonae ficará sempre a perder. E se houver muitos "Joaquins
", a determinada altura a Sonae vai ter de começar a desenvolver planos de
carreiras e formas de reter as pessoas que demorou anos a desenvolver.
Problema: neste momento, o nosso mercado não abunda em
oportunidades e os "Joaquins" também não são muito dados a arriscar.
E se não saem pelo seu próprio pé, as "Sonaes" chegam à conclusão que
compensa mantê-los estagnados: para quê pagar mais se eles não se vão embora?
Para quê motiva-los se, mesmo insatisfeitos, eles continuam altamente
produtivos?
2 - Mas o problema para a empresa
pode ser mais complexo do que isso: e se, afinal, o Joaquim não constituir a
regra mas antes a exceção? E se já tiver havido vários trabalhadores com
elevado potencial que se foram embora? Trabalhadores com a combinação certa
entre conhecimento técnico e experiência? Entre adaptação aos valores da empresa
e conhecimento do negócio? E se a empresa não tiver a capacidade de reter os
melhores? E tiver apenas ficado com os acomodados e com aqueles que não têm
valor para serem recrutados pelas outras empresas do mercado?
A Sonae é conhecida por ir ao
mercado recrutar os melhores: seja os melhores alunos das faculdades (com
salários baixos, que se mantêm assim durante anos); seja os melhores
profissionais séniores (para os cargos dirigentes - e, esses sim, são muito bem pagos. Se tivesse uma política
de retenção de talento, não pouparia dinheiro? Ir recrutar ao mercado fica
sempre mais caro. Se apostasse na "prata da casa", garantindo um
aumento gradual de responsabilidade (e salário), a empresa estaria
simultaneamente a garantir uma aposta mais segura (em trabalhadores que já
estão adaptados à sua estrutura) e um maior retorno (dado que,
proporcionalmente, não terá de pagar salários tão altos aos cargos dirigentes).
3 – A certa altura, o meu amigo
Joaquim - talvez por estar desiludido com a situação - disse: "Nunca mais chega a reforma pra eu me poder
dedicar aos projectos que realmente gosto!..." O Joaquim tem 35 anos
(!!!). Fala como se tivesse chegado ao fim da linha. Como se não houvesse
esperança e já tivesse feito tudo o que podia. Não fez: o problema dos
trabalhadores portugueses é que têm qualidade mas não a sabem comunicar. O meu
problema também é esse. Por isso é que escrevo artigos e frequento o Toastmasters - para expor o meu trabalho
e melhorar a minha capacidade de exposição oral. Porque cheguei à conclusão que
consigo prender a atenção das pessoas... mas que não as consigo verdadeiramente
emocionar. E, nesta fase da vida, não é enviando CVs que as oportunidades
surgem. É comunicando qualidade sempre que possível; é impressionando quem tem
contacto connosco no mercado.
4 - A minha conclusão é que
estamos notoriamente num estágio de desenvolvimento abaixo de outros mercados.
Só com maior espírito competitivo é que as empresas passarão a tentar potenciar
todo o potencial dos seus trabalhadores - porque só com trabalhadores motivados
é que é possível produzir verdadeira inovação, excelência, vantagens
competitivas. Só assumindo verdadeiramente que "as pessoas são o nosso maior activo" (deixando de ser esse
apenas um chavão, que fica bem dizer mas que está longe de ser realmente
implementado nas empresas) é que conseguiremos ter produtos e serviços de
qualidade, realmente inovadores e com valor acrescentado para o cliente.
Mas tudo está interligado: e só
com trabalhadores qualificados, competentes e competitivos – e que saibam
comunicar essa maior qualidade - é que as empresas se sentirão pressionadas a valorizar
os seus profissionais e a assumir verdadeiras políticas de RH.
[1]
Belmiro é um homem admirável, de origens humildes mas que, actualmente, tem uma
fortuna avaliada em 2,5 mil milhões (dados da Forbes de 2014). Sendo um homem
polémico, sempre fez questão de ter independência para dizer o que lhe vai na
alma sem medo das consequências - e isso implica não estar ligado aos centros
de poder político.
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às domingo, abril 13, 2014
sábado, 12 de abril de 2014
Uma Questão de Atitude
Artigo redigido por António Machado Vaz*
AMV9|2013-14
Como é que se doma um
elefante?
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| Fonte da imagem: fasdapsicanalise.wordpress.com |
O truque é amarra-lo a uma arvore grossa quando ele é pequeno. Nos
primeiros tempos, ele vai lutar com todas as suas forças para se libertar –
mas, como é pequeno, não consegue. E desiste.
Entretanto, o elefante cresce e transforma-se no animal mais forte que
existe na natureza. Com toda aquela força, ele podia facilmente libertar-se do
seu cativeiro… e ir à vida dele.
Mas não o faz porque se lembra que em tempos falhou – conforma-se com a sua
situação e nunca mais volta a tentar (daí é que vem a expressão “memória de
elefante”).
Onde há muitos elefantes é na India – e foi precisamente para aí que uma
empresa de calçado resolveu expandir a sua actividade. Resolveu, então, mandar
para lá dois vendedores, para estudarem o mercado. Um foi para o Norte e outro para o
sul.
Ao fim de uma semana, o
do Norte liga pra sede e diz: “Chefe, vou
voltar pra Portugal. Estive a estudar o mercado e não temos hipótese nenhuma. Ninguém aqui usa sapatos”.
No dia seguinte, liga o
vendedor que estava no Sul: “Chefe, é
melhor comprar um cofre maior, que o que temos não vai dar pra tanto dinheiro!
Vamos ficar ricos! Estive a dar uma volta por esta região e clientes não
faltam: sabia que… ninguém aqui usa
sapatos!?”
Costuma-se dizer que a
realidade é um conceito relativo: Neste caso, onde um vê o desastre e o outro
vê uma oportunidade.
A mentalidade – a atitude de cada um – é que faz toda a diferença. Porquê?
Porque a excelência
das nossas acções reside na qualidade dos nossos pensamentos. O
pensamento antecede a acção – e se alimentamos as nossas dúvidas, isso é meio
caminho andado para que se dê a chamada profecia
auto-realizavel: Vejam o caso do vendedor que diz “não vamos conseguir”:
Se eu acho que não vou conseguir,
então não me vou aplicar; não me vou preparar devidamente (para
quê!?) - e aí as probabilidades de ter sucesso diminuem.
E, quando a coisa corre mal, vem o comentário o típico “eu não dizia
que não era capaz?!”
A profecia concretizou-se… Tal como o
elefante, estamos tão convencidos que não somos capazes, que já entramos na
luta derrotados.
Por isso é que é importante ter auto-confiança / pensamento positivo.
Mas atenção: ser
optimista nao é ser lírico. Não é fugir aos problemas. Não é pensar: “tudo vai correr bem… mesmo que eu não faça
nada por isso”.
O
vendedor optimista vai dizer: sim senhor, eu vou conseguir. MAS VOU CONSEGUIR
PORQUÊ?
·
PORQUE me preparei bem - porque cheguei onde
cheguei graças ao fruto do meu trabalho (ninguém me fez favores);
·
PORQUE o produto é bom – já resultou noutros
mercados.
·
PORQUE há quem o queira comprar.
O
que é que me falta? Saber onde estão os clientes? Então vou-me informar. Posso
não encontrar clientes à primeira, mas não vou desistir! Vou atrás deles.
Isto
é auto-confiança! Eu estou a (1) mobilizar os meus recursos para a
acção, (2) fico mais concentrado e,
gradualmente, (3) estou a aumentar as
probabilidades de ter sucesso.
Mas será esta fórmula infalível? Isto traz a garantia de alguma coisa?… Meus amigos, vou-vos dar uma novidade: neste
mundo, ninguém tem a garantia de nada.
E
a beleza do jogo da vida é essa mesma: é que o resultado é indefinido até final:
Há pessoas que entram no jogo já a perder 1-0 mas que dão a volta ao resultado…
Nós dizemos:
Ai mas eu não posso - porque não sou bonito!
Ai mas eu não posso - porque eu não sou inteligente!
Ai mas eu não posso - porque eu não sou de cá!
Mas temos muitos exemplos de gente que “não podia” e deu a volta ao
resultado:
· O Américo Amorim
não tem nenhum curso e chegou onde chegou;
· O Cristiano Ronaldo
nasceu num bairro de lata na Madeira e chegou onde chegou;
· O Barack Obama,
quando nasceu, os negros não podiam votar – quanto mais ser eleitos para o que quer
que fosse!
Já ouviram falar do blade runner? (não,
não estou a falar do filme…) O blade runner é Óscar Pistorius, que se chama
assim porque nasceu sem pernas. Corre com 2 próteses. E é tão bom que, aqui há
uns anos, se discutiu se ele podia ser admitido em competições oficiais … porque
podia ter uma vantagem em relação aos outros… Isto sim é dar a volta às
circunstâncias e não se conformar com o seu destino! De repente, este homem pôs
toda a gente a discutir se afinal, em vez de uma deficiência, ser amputado não
será, ao invés, é uma vantagem!...
Com exemplos destes,
como é que nós – que TEMOS TUDO – podemos dizer que não conseguimos?!
O que mais há neste
mundo são pessoas inteligentíssimas mas que nunca fizeram coisíssima nenhuma na
vida - porque, tal como o elefante, se conformam com o seu destino e desistiram
antes sequer de verdadeiramente tentar.
Lembrem-se:
o único que te pode dizer que não
consegues és tu mesmo – e mesmo assim, tu não precisas de ouvir!”
Discurso Oporto Toastmasters Club - António Machado Vaz:
* Colaborador nas publicações do Blogue desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às sábado, abril 12, 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Notícias GP 2014_Parte 3
Uma excelente notícia!
O artigo Avaliação de desempenho PORQUÊ? [1] publicado no dia 12 de Fevereiro de 2014 pelo partner do blogue Antonio Machado Vaz, foi publicado na edição de Março da revista TRABALHO & SEGURANÇA SOCIAL em Portugal! Ressalvando que o mesmo tinha sido publicado na revista Vida Económica em Fevereiro.
Parabéns António! Fantástico Trabalho!
Postado por Davide Gouveia às segunda-feira, março 31, 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
A tecnologia ao serviço dos Recursos Humanos: A morte do CV está próxima
Artigo
redigido por António Machado Vaz*
AMV8|2013-14
AMV8|2013-14
Já Peter Drucker dizia que só se gere aquilo que se consegue medir – ou seja: a gestão não pode ser
feita por instinto mas sim com base em informação mensurável. A forma como essa
informação é depois trabalhada e utilizada para tomar decisões é o que
distingue as boas das más empresas.
A tecnologia actual permite-nos reunir grandes quantidades de informação personalizada para depois analisar padrões comportamentais e
tendências e definir estratégias
negociais de acordo com esses dados. O Facebook, por exemplo, utiliza um algoritmo
complexo para analisar estatisticamente o perfil
de cada utilizador (os sites que visita, os assuntos que pesquisa nos motores
de busca, os cliques que faz nas noticias on-line). Isso permite personalizar
de forma instantânea a publicidade que depois mostra na página de cada um,
quando está conectado. Outro exemplo é a Amazon, que utiliza a mesma técnica
para detectar padrões de consumo e preparar o stock das lojas mais próximas de
cada potencial cliente para maximizar o número de vendas sem rotura de stock. É
o chamado e-marketing e é a face mais visível do tratamento do “big data”. Mas
há outras. Esta ciência analítica começa também a ser aplicada à gestão
de recursos humanos - seja para contratar, seja para promover de forma mais
eficaz:
1 – A Gild, uma empresa
norte-americana, criou um sistema que faz a parametrização de dados de modo a identificar
o candidato ideal para cargos de elevada complexidade técnica – por ex:
profissionais de programação. A Gild analisa os trabalhos dos programadores
disponíveis na web, a informação das redes sociais, a participação em foruns
on-line especializados e o seu histórico académico, de modo a identificar o
perfil que mais se adequa às exigências do trabalho que a empresa que está a
recrutar pretende ver realizado. Para já, a empresa trabalha apenas com
profissionais de programação, mas já está a estudar maneiras de aplicar essa
tecnologia a outras àreas.
2 – A Google desenvolveu o
projecto Janus, destinado a testar os
critérios de selecção que utiliza no recrutamento dos seus quadros. Definiu
aquelas que eram as características mais comuns do seu universo de
trabalhadores (como a universidade de proveniência, as experiências anteriores
e a tipologia dos projetos desenvolvidos) e procurou características
semelhantes numa base de dados de 1 milhão de currículos que haviam sido
excluídos em processos de selecção anteriores. O resultado foi a contratação de
150 engenheiros que
anteriormente haviam sido excluídos mas que tinham características que se
revelaram indicadores de sucesso em contratações anteriores. “A análise estatística ajudou na precisão do
recrutamento e excluiu essa margem de erro”, afirmou Brian Ong, director de
recrutamento da Google, numa conferência de recursos humanos.
3 – A petrolífera Shell, criou
um projeto para identificar profissionais criativos recorrendo a um jogo on-line: o Wasabi Waiter. Neste jogo, que simula o funcionamento de um restaurante
japonês, o jogador tem de escolher os pratos que servirá de acordo com a
expressão facial dos clientes. Em apenas 15 minutos de jogo, é possível coligir
uma enorme quantidade de dados, como a forma como o jogador responde à pressão,
como hierarquiza as tarefas, o seu grau de empenho ou como gere as emoções das
pessoas que o rodeiam. Ao cruzar o padrão comportamental dos funcionários com o
seu desempenho no jogo é possível identificar os trabalhadores com maior
potencial. “É a maneira mais imparcial e
eficiente para reconhecer os melhores entre os milhares de funcionários de
grandes empresas”, afirma Guy Halfteck, fundador da Knack, a empresa que
desenvolveu o jogo.
4 – Cada vez mais empresas
utilizam a rede social Linkdin (com mais de 250 milhões de profissionais
registados na sua base de dados) para alargarem a sua procura pelo candidato
mais adequado aos lugares-chave da sua organização. Mais do que isso, o
Linkdin permite às empresas saber não apenas de onde vêm os seus candidatos mas
também obter feed-back da rede de contactos do candidato e saber para onde
foram trabalhar as pessoas que deixaram a organização - o que poderá dar pistas
acerca dos motivos da fuga de alguns talentos.
5 - Por
vezes, a tecnologia serve também para comprovar a validade de alguns processos
empíricos. Investigadores da Universidade Yale, por exemplo, cruzaram
informações da produtividade de profissionais de nove empresas e concluíram que
os candidatos indicados por outros funcionários são 25% mais rentáveis do que
aqueles que foram contratados na sequência de um processo de recrutamento – o
que significa que, em certos casos, a rede informal de contactos continua a ser
o método de selecção mais eficaz (não confundir com a nossa famigerada
“cunha”…).
Conclusão:
a àrea de RH pode beneficiar muito da implementação de tecnologias de gestão de
informação. Os processos de recrutamento tradicionais são morosos, caros e a
taxa de insucesso continua a ser elevada, com consequências desastrosas para as
empresas. A inadaptação ao “mundo real” de candidatos que, “no papel”, eram
perfeitos, significa um custo que corresponde, em média, a três vezes o valor do seu salário anual. É um processo arcaico que
a tecnologia já permite resolver com muito maior eficácia (quer qualitativa,
quer quantitativamente). Ainda não chegou o momento em que – como acontece com o e-commerce –
todo o nosso rasto electrónico é utilizado para traçar o nosso perfil
psicológico e tomar decisões em função disso mas está visto que essa é uma
realidade não muito distante. Mais do que nos queixarmos dos inconvenientes
dessa situação (“big brother is watching
you!...) há que aproveitar as potencialidades que ela cria (veja-se o
exemplo da Gild que procura o rasto “positivo” deixado pelos programadores: os trabalhos
disponibilizados gratuitamente na web ou os contributos em foruns on-line
especializados, são formas de divulgação do seu trabalho e de se diferenciarem
de outros milhares de profissionais existentes no mercado). Uma coisa é certa:
a morte do CV está próxima
– pelo menos da forma como o conhecemos.
* Colaborador nas publicações do Blogue
desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às segunda-feira, março 24, 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Notícias GP 2014_Parte 2
Rui Rio vai trabalhar para multinacional de recursos humanos
Rui Rio, por seu turno, explica que aceitou este desafio profissional, porque "a conjuntura económica que as empresas hoje enfrentam, exige uma política de recursos humanos adequada, capaz de garantir elevados níveis de motivação e, sobretudo, capaz de identificar o profissional certo para as funções certas. A capacidade dos seus recursos humanos é o primeiro factor de competitividade de uma empresa. Antes dos seus próprios constrangimentos financeiros, é ela que determina o que uma empresa vai ser no futuro".
Rui Rio é, actualmente, um nome de grande prestigio no panorama politico português. Ao longo dos 12 anos em que foi Presidente da Câmara da cidade do Porto, Rio pautou a sua governação por grande rigor financeiro – o que lhe mereceu grandes criticas de diversos lobbies (por cortar nos subsídios, prebendas e investimentos, por reduzir pessoal, por cortar relações nem sempre claras do município com os clubes de futebol) e o apoio da população, por ter conseguido pôr as contas da cidade em ordem. Isto numa altura em que Portugal se viu obrigado a pedir auxilio ao FMI (em 2011) precisamente pelo descontrolo em que caíram as contas públicas (fruto de um estado demasiado pesado, com excesso de funcionários públicos e de investimentos de utilidade duvidosa).
Ao terminar o seu ultimo mandato, escolheu reingressar no sector privado, sem tirar partido (pelo menos no imediato…) do capital político que foi reunindo junto da opinião pública (coisa rara na classe política portuguesa).
Perfil: Um economista marcado pelo percurso político
Rui Rio, nascido no Porto em 1957, foi presidente da câmara da cidade Invicta entre 2001 e 2012. Licenciado em Economia, Rio aderiu à JSD logo após o 25 de Abril de 1974. Foi vice- presidente do PSD em dois períodos. O primeiro entre 2002 e 2005, quando a liderança foi assegurada por Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, e posteriormente entre 2008 e 2011, anos em que a presidência do partido foi assegurada por Manuela Ferreira Leite.
Iniciou a sua actividade profissional na indústria têxtil, tendo transitado depois para o sector bancário, como quadro do Banco Comercial Português. No seu currículo constam ainda passagens pelas Tinta CIN, onde foi director financeiro e vogal do conselho fiscal da CGD. Em 2012, a Faculdade de Economia do Porto distinguiu-o com o prémio Carreira.
Postado por Davide Gouveia às sexta-feira, fevereiro 28, 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Zappos - Por acaso vendem sapatos. Mas podiam vender felicidade!
Artigo redigido por Davide Gouveia*
DG65|2007-13|14
DG65|2007-13|14
A Zappos é conhecida pela empresa com o melhor Serviço ao Cliente do
mundo. A sua cultura é única e a sua missão inspiradora!
Por acaso
vendem sapatos. Mas podiam vender felicidade!
Será que o propósito de uma empresa pode ser "entregar felicidade"? E
ainda assim ser não só uma das melhores empresas para trabalhar, como
uma das mais rentáveis? É possível, sim, e a ZAPPOS é exemplo disso.
Felicidade
como modelo de negócio. Este é o lema da Zappos , a 6ª melhor empresa para se
trabalhar, de acordo com o ranking da revista Fortune, e que há 12 anos
atua nos segmentos de calçados e roupas vendidas pela internet, além de
se tornar recentemente uma parceira da Amazon.
Como
o que importa é a plena satisfação dos colaboradores, clientes e
fornecedores, a empresa não costuma limitar as possibilidades de
superação e expectativas dos seus serviços, a começar pelo seu Call
Center, formado por uma equipe de 400 pessoas que atendem 24h por dia,
sem restrição de tempo nas ligações. O grupo conhece e colabora com os
valores culturais da empresa, e procura criar um ambiente de trabalho
diário, que mais parece um clube de férias, no qual se fantasiam, usam
fogos e pandeiros, fazem pinturas e brincadeiras, além de promovem
encontros fora da empresa, como piqueniques e desportos praticados com os
gerentes, no intuito estimular a criatividade.
Um dos segredos é saber como inspirar os funcionários e não apenas motivá-los!
Durante o treinamento de um futuro colaborador, por exemplo, costumam
oferecer-lhe no início do curso preparatório uma quantia de US$ 2 mil
para que ele desista da vaga, caso não esteja interessado. Além disso, a humildade é muito tida em conta no processo de seleção! Sendo avaliada, até pelo motorista da empresa no trajeto para casa do funcionário!
Para garantir que a cultura e a visão da empresa continuem
voltadas para a paixão pelo que se faz e proporcionar a felicidade, a
companhia é criteriosa e ao mesmo tempo maleável, se comparada a outras empresas. A prova disso é que os funcionários do atendimento têm total
autonomia para lidar com os clientes que ligam, sem script. Outro ponto
interessante é o fato dos seus 130 compradores não precisarem ter
experiência na área, mas acima de tudo a vivência com os artigos que
pretende vender e consequentemente, liberdade para decidir as categorias
que serão vendidas pelo site. Um comprador de artigos desportivos, por
exemplo, costuma praticar algum desporto similar - com isso eles acabam
vivendo seu trabalho 24h por dia com paixão, e compradores apaixonados
fazem com que os clientes também comprem com paixão.
Outras ações que a empresa pratica para garantir a satisfação e produtividade dos funcionários:
1. benefícios incluem: assistência médica
completa, almoço/lanches/bebidas de graça, serviços dentro da empresa,
ambiente de trabalho alegre, eventos da empresa, e etc.
2. política de “portas abertas”: na qual todos os
funcionários se sentem confortáveis para se aproximar e falar com a gerência sobre
qualquer preocupação/feedback/ideia que eles podem ter.
3. espaço de trabalho: Todos os gerentes se sentam no mesmo espaço que os membros da equipe.
Ninguém tem escritório, a não ser o setor jurídico, apenas para dar
privacidade às conversas. Tony Hsieh, o CEO da empresa, se senta em um
cubículo, assim como todo mundo.
4. pesquisa de felicidade: pesquisa mensal de “felicidade” para toda a companhia, para obter o
feedback e ter certeza de que todo mundo está satisfeito e para
verificar onde a gestão e a empresa podem melhorar.
5. continuidade da política de "felicidade": existe um programa de treinamento interno para todos os empregados, que é
feito pelo time Zappos Family Pipeline. Alguns cursos são dedicados
especificamente ao grupo de liderança e há também cursos
disponíveis para todos na companhia. Alguns são pré-requisitos para
crescer. Existem aulas como: A ciência da felicidade, Cultura da
Zappos, História e Prospectiva da Zappos, Realce de performance/Gestão e
muitos outros.
6. "Caixa de Ferramentas": departamento interno que ajuda a providenciar aconselhamento e truques para as lideranças para
garantir que a empresa está dando a melhor orientação para os membros das equipes. Fazendo isso, esperam manter os funcionários motivados e felizes.
Postado por Davide Gouveia às segunda-feira, fevereiro 24, 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Avaliação de desempenho PORQUÊ? [1]
Artigo
redigido por António Machado Vaz*
AMV7|2013-14
AMV7|2013-14
O Governo anunciou que a
avaliação de desempenho passará a ser o principal critério de selecção na
extinção de postos de trabalho. As reacções não se fizeram esperar: a UGT e a
CGTP vieram dizer que “não é possível
conceber” que o factor determinante seja a avaliação de desempenho, quando
“95% das empresas portuguesas” não
têm avaliação de desempenho objectiva. E, de facto, na grande maioria das
empresas portuguesas não está instituído qualquer sistema meritocrático. Nem
sequer se sabe qual o real contributo de cada trabalhador para a organização.
Todo o sistema está montado para premiar, sobretudo, a antiguidade (exemplo disso são as diuturnidades e as promoções
automáticas). Acontece que um sistema de compensação baseado na antiguidade convida
ao conformismo e à apatia: para quê trabalhar mais do que o estritamente
necessário se sei que daqui a 5 anos serei promovido, independentemente do
esforço que faça?
O problema é que estamos
inseridos num mercado global e altamente concorrencial. As empresas precisam de
criar vantagens competitivas – e isso só se faz (1) ou gerando inovação com
valor de mercado, (2) ou fazendo mais “bonito” (3) ou fazendo mais barato que a
concorrência.
Ora, para criar vantagens
competitivas, mais do que trabalhar MUITO,
interessa sobretudo é trabalhar BEM.
Com qualidade. Porque, se for para
trabalhar muitas horas mas de uma forma acrítica
– sem pensar no que se está a fazer, para quê e como pode ser melhorado – há
quem faça o mesmo mas mais barato: há
3 MIL MILHÕES de chineses e indianos que ganham menos de € 100 dólares por mês;
que trabalham 7 dias por semana e que não tiram férias. Mas não é desses trabalhadores
que o país precisa. O que é necessário é gente que trabalhe com qualidade –
gente que acrescente valor. É
aqui que entra a avaliação de
desempenho:
Mas a avaliação de
desempenho tem de ser vista como apenas uma etapa de algo maior: porque se a empresa precisa de saber
o que é que cada um contribui para os objectivos da organização, antes disso, é preciso saber o que é esperado de cada pessoa (quais são as suas responsabilidades
individuais). Além disso, é preciso que toda a gente saiba para onde é que “barco” vai: onde é que
queremos que a empresa esteja daqui a um ano – ou daqui a 10 - e o que é que eu,
individualmente, e a minha equipa, podemos fazer pra ajudar. Depois disso, é preciso, todos os anos, agir sobre o resultado: apostando nos melhores, premiando as boas
performances e corrigindo as menos boas. Só
assim é que se melhora.
Como é que isto se faz?
O primeiro passo (antes da
avaliação de desempenho) é, como disse, definir objectivos concretos – e para isso é preciso ter um MANUAL
DE FUNÇÕES que estabeleça claramente as responsabilidades de cada função.
1ª vantagem: acaba-se “o jogo do
empurra” tão típico das organizações (“ai
isto não é a mim que me compete!”).
2ª vantagem: permite às chefias fazer
uma avaliação realista e consistente do
desempenho dos seus colaboradores, face aos objetivos da empresa.
3ª vantagem: ajuda a alocar as
pessoas com as características certas
para os lugares certos.
Aí sim, a empresa está em
condições para fazer uma verdadeira AVALIAÇÃO
DE DESEMPENHO. Mas porque é que isso é importante? Porque desconfiamos das
pessoas?!
Nada disso! O que é
necessário saber é se cada trabalhador em concreto (1) está sobrecarregado, (2) se perde muito tempo com trabalho sem
grande valor acrescentado, (3) se
faz bem ou mal aquilo que é suposto - e porquê. Para isso, é preciso medir
o desempenho de forma objectiva (ie,
com números), para ir melhorando gradualmente (para saber onde temos de melhorar) – e isso faz-se
desenvolvendo indicadores de desempenho
para cada função (os célebres KPIs).
A ideia é apurar o nível de realizações da
organização – e isso faz-se (1) medindo as performances e depois (2) comparando os resultados com as metas
pré-estabelecidas. É dessa forma que depois temos a noção dos desvios e de onde
podemos melhorar. Como dizia Peter Drucker, “You cannot manage what you do not
mesure” (só se consegue gerir o que se consegue medir). A questão é que
nós já sabemos isso. O que é a contabilidade
se não medir a realidade em números,
para depois podermos basear as nossas decisões financeiras nessa informação? Porque
é que, então, não havemos de fazer a
mesma coisa em relação aos Recursos Humanos? Porque é que as empresas não hão
de ter alguém que ajude as chefias a
desenvolverem indicadores de desempenho para as suas equipas? Que as ajude a
trabalhar esses números para os discutir – de uma forma construtiva – com cada
trabalhador? É isto que permite (1) estabelecer compromissos e (2) definir
conjuntamente as metas a atingir e (3)
de que forma é possível fazê-lo.
Por fim, temos que ver o
que é que podemos fazer com os resultados da avaliação de desempenho – o tal “agir sobre o resultado”. Se os
resultados são maus (e se sabemos porquê – graças à avaliação de
desempenho) então há que melhora-los. Como? Despedindo as pessoas? Não. É de
todo o interesse para a empresa apurar se os resultados não surgem por
deficiência da organização face ao mercado ou se por falta de qualificações do
trabalhador. Como tal o trabalhador só deverá ser despedido ao fim de 2 ou 3
avaliações negativas consecutivas. Durante esse período, a empresa terá de
assumir a responsabilidade de lhe dar formação
específica ou muda-lo para um posto de trabalho mais consentâneo com as
suas características (o envolvimento do trabalhador na solução é fundamental). Isto
se os resultados forem maus. Mas e se
forem bons?
Não podemos tratar os
nossos trabalhadores como nossos partners,
querer envolve-los nos destinos da empresa …e depois, quando “chegamos à meta”, não mostrar apreço
pelo esforço que eles fizeram. Por isso mesmo, se é
pedido um esforço adicional às pessoas (e se esse esforço dá frutos), devo,
então, recompensa-lo. A ideia é sobretudo mostrar
apreço por um trabalho bem feito – e
há várias formas de o fazer. Por exemplo: premiar os que atingem 100% dos
objectivos definidos no início do ano, com um aumento salarial igual à taxa de inflacção. Se chegar
aos 120% (ou seja, se exceder claramente o que lhe foi proposto) irá ter um
aumento acima da inflacção. Recorrentemente
temos ouvido que não “não estamos em
tempo de pagar prémios”. Mas, como dizia Kim Nordston, “se pensa que
a competência é cara, nem imagina o custo da incompetência”. E
acreditem: se os objectivos tiverem sido bem definidos, esses ganhos de
produtividade têm que mais que compensar
o acréscimo de custos salariais. Empresas como a Apple – considerada um exemplo
de inovação e sucesso competitivo – sabem a importância de alinhar os
interesses da organização com o dos seus trabalhadores e de lhes mostrar que o
seu sucesso está intimamente ligado ao sucesso da organização. Para ilustrar a
importância dos incentivos, Steve Jobs - que tinha um salário simbólico de 1
dólar por ano - dizia: “Eu ganho 50 cêntimos só por pôr cá os pés.
Os outros 50 cêntimos dependem do meu desempenho”.
Conclusão: Não
adianta criticar todas as soluções propostas. Ao consagrar a avaliação de
desempenho como critério principal na extinção de postos de trabalho, o governo
está precisamente a incentivar a implementação de um sistema que privilegia a
meritocracia e que – como dizem as centrais sindicais – é alheio a “95% das empresas
portuguesas”
Mas não tenhamos ilusões: só olhando para este sistema como um todo é
que podemos retirar daí as vantagens que estas valências, quando encaradas de
forma isolada, não nos dão. Resumidamente, o todo é maior do que a soma das partes.
Só investindo em todo o processo (e não apenas num ou outro elemento) é que
conseguimos obter resultados.
Trata-se, como disse, de uma aposta: Uma aposta na melhoria contínua. Uma aposta na
capacidade das pessoas como elemento DIFERENCIADOR da empresa. Ainda
recentemente, o Bagão Félix dizia: “numa
empresa, o dinheiro é o lubrificante –
é aquilo que não deixa o motor
gripar. Mas a gasolina – o que poe a
maquina em movimento - são AS PESSOAS.” É ISSO que diferencia as empresas. Agora vamos imaginar que não fazemos nada disto… Daqui a 20 anos como é que
estaremos? Pensem, por exemplo, há 20 anos atrás, quantos empresários não terão
dito: “eu não preciso de computadores
para nada! O trabalho faz-se na mesma com papel e lápis. Há 50 anos que
trabalho assim e não vejo porque hei-de mudar.” É que as circunstâncias alteraram-se
MUITO DEPRESSA – e como dizia Einstein, "Loucura é continuar a fazer as
coisas como sempre fizemos ...e
esperar resultados diferentes."
[1] Artigo publicado in Revista Vida Económica (sexta-feira 7 de Fevereiro de 2014).
* Colaborador nas publicações do Blogue
desde Outubro de 2013.
Postado por Davide Gouveia às quarta-feira, fevereiro 12, 2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
Notícias GP 2014_Parte 1
Notícia 1: Mary Barra: A mulher que estará ao volante da GM
A
história de Mary Barra, que na passada quarta-feira foi oficializada
como nova CEO da General Motors, é peculiar
em muitos aspectos. A imprensa internacional exortou o facto de ser a
primeira mulher nos comandos de um grupo automóvel, mas há outra
singularidade: passa da direcção dos recursos humanos para a liderança
da companhia. Pelo meio, num mundo em que os executivos
saltam de empresa em empresa, ela permanece na GM há 33 anos
A
colunista do Washington Post especialista em liderança, Jena McGregor,
salienta que é incomum nos grandes grupos a passagem dos Recursos
Humanos para um posto de liderança executiva.
“Mesmo tendo em conta que os CEO
frequentemente referem que os recursos humanos são a sua principal
matéria-prima, é raro que um quadro vindo do departamento de RH chegue
ao topo da companhia”. “Não
é o percurso normal de quem chega a CEO”, corrobora, John Wood,
vice-presidente da empresa de recrutamento de executivos Heidrick &
Struggles.
A
mesma especialista em liderança, Jena McGregor, explica o porquê de a
ligação entre recursos humanos e liderança executiva não ser directa no
mundo empresarial. “Em algumas empresas,
os recursos humanos têm ainda a reputação de serem um lugar recôndito
onde se trata de questões administrativas. Mas
tipicamente, o maior impedimento é não terem experiência de gestão ou a responsabilidade de trabalhar com perdas e lucros”, defende McGregor.
Numa
abordagem diferente, à tomada de posse da executiva de 52 anos, a
revista Forbes diz que Mary Barra é amada pelas câmaras fotográficas,
pelos empregados, mas questiona se os
investidores a vêem da mesma forma.
Barra
iniciou a sua caminhada na GM com um vídeo destinado aos trabalhadores
do grupo, com uma mensagem para que continuassem a melhorar o
desempenho. A executiva é ainda elogiada
por manter a calma em momentos de grande pressão.
Mas
a mesma revista económica coloca uma interrogação: qual será a
percepção dos investidores? A Forbes avança que os sinais são de
desapontamento face às diminutas previsões de ganhos
em 2014, tal como a permanência de alguns focos de instabilidade pelo
Mundo. As acções do grupo de Detroit caíram 2% na última quarta-feira,
um dia depois de comunicar que ia distribuir os primeiros dividendos por
accionistas desde a crise de 2008.
Notícia 2: Despedimento que envolve as redes sociais (Facebook)
Há
anos que casos de despedimento que envolvem as redes sociais fazem
jurisprudência lá fora, mas esta é a primeira sentença proferida em
Portugal sobre o tema. O Tribunal de
Matosinhos aceitou o despedimento de um trabalhador da Esegur depois de
este ter publicado comentários e ofensas no Facebook.
Segundo o Jornal de Notícias, o trabalhador foi despedido por justa causa em janeiro passado, depois de posts num grupo no Facebook que o juiz considerou ofensivos para "a imagem, dignidade e bom nome" dos executivos e trabalhadores da Esegur visados.
O funcionário era vigilante da empresa e também delegado sindical. Administrava um grupo privado no Facebook (ao qual só têm acesso os membros aprovados) que reunia empregados e ex-empregados da Esegur. Os posts em causa datam de setembro a dezembro de 2012 e incluem acusações de que a empresa o humilhava, ordenava perseguições e mentia. Apelidou colegas de analfabetos e imbecis e publicou fotos de palhaços para classificar os chefes.
Até agora, os casos que tinham chegado a tribunal visando redes sociais tinham terminado em acordo. Neste caso, o tribunal tinha de se pronunciar sobre os meios de recolha de prova: posts num grupo privado são ou não admissíveis? O juiz acabou por considerar que um grupo com 140 membros, mesmo sendo fechado, não podia gerar a expectativa no autor de que "os posts ali publicados não extravasariam o círculo dos membros" que dele faziam parte. Considerou ainda que o grupo tinha um cariz profissional e por isso todos os conteúdos eram passíveis de violarem os deveres laborais a que o funcionário estava sujeito.
O despedimento por justa causa foi ainda fundamentado com ações de desobediência aos superiores e uma falta injustificada, que o tribunal validou inteiramente.
Ainda este fim de semana, outro caso de despedimento devido a redes sociais foi notícia: nos Estados Unidos. A relações públicas Justine Sacco foi demitida da IAC - InterActive Corp - depois de publicar um tweet que foi considerado racista e ofensivo.
"Vou à África. Espero não apanhar SIDA. Estou a brincar. Eu sou branca!" foi o tweet que causou tremenda polémica e levou a executiva a ser imediatamente demitida.
Segundo o Jornal de Notícias, o trabalhador foi despedido por justa causa em janeiro passado, depois de posts num grupo no Facebook que o juiz considerou ofensivos para "a imagem, dignidade e bom nome" dos executivos e trabalhadores da Esegur visados.
O funcionário era vigilante da empresa e também delegado sindical. Administrava um grupo privado no Facebook (ao qual só têm acesso os membros aprovados) que reunia empregados e ex-empregados da Esegur. Os posts em causa datam de setembro a dezembro de 2012 e incluem acusações de que a empresa o humilhava, ordenava perseguições e mentia. Apelidou colegas de analfabetos e imbecis e publicou fotos de palhaços para classificar os chefes.
Até agora, os casos que tinham chegado a tribunal visando redes sociais tinham terminado em acordo. Neste caso, o tribunal tinha de se pronunciar sobre os meios de recolha de prova: posts num grupo privado são ou não admissíveis? O juiz acabou por considerar que um grupo com 140 membros, mesmo sendo fechado, não podia gerar a expectativa no autor de que "os posts ali publicados não extravasariam o círculo dos membros" que dele faziam parte. Considerou ainda que o grupo tinha um cariz profissional e por isso todos os conteúdos eram passíveis de violarem os deveres laborais a que o funcionário estava sujeito.
O despedimento por justa causa foi ainda fundamentado com ações de desobediência aos superiores e uma falta injustificada, que o tribunal validou inteiramente.
Ainda este fim de semana, outro caso de despedimento devido a redes sociais foi notícia: nos Estados Unidos. A relações públicas Justine Sacco foi demitida da IAC - InterActive Corp - depois de publicar um tweet que foi considerado racista e ofensivo.
"Vou à África. Espero não apanhar SIDA. Estou a brincar. Eu sou branca!" foi o tweet que causou tremenda polémica e levou a executiva a ser imediatamente demitida.
Postado por Davide Gouveia às sábado, janeiro 25, 2014
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Na vida como nas organizações: a importância de ter objectivos claros
Artigo
redigido por António Machado Vaz*
AMV6|2013-14
AMV6|2013-14
Em 1950, Florence
Chadwick, de 34 anos, atravessou a nado o Canal da Mancha.
Ao chegar
ao outro lado, voltou para trás - tornando-se,
assim, a primeira mulher a fazer o percurso de 36 kms entre Dover e Calais… nos dois sentidos.
2 anos depois, Florence dedicou-se a um novo
desafio: atravessar a nado os 41 kms que separam a Ilha de Catalina de Long
Beach, na Califórnia.
Pensemos um pouco na enormidade da tarefa a que
Florence se propôs: (1) 41 kms é quase a distância da maratona… mas dentro de
água, (2) Florence já estava com 36 anos – uma idade avançada para uma
disciplina fisicamente tão exigente como a natação em mar-aberto, (3) aquela
zona é infestada de tubarões.
Mas Florence preparou-se a sério. No dia 4 de
Julho de 1952 – a data marcada para a travessia – estava na melhor forma da sua
vida. Como já era uma celebridade, a comunicação social fez do evento uma festa,
preparando-se para levar ao mundo o testemunho da nova proeza de Florence. No
dia marcado, ela entrou na água e começou a nadar. Ao princípio tudo corria
bem. Mas o tempo foi passando… e o
cansaço foi-se instalando. Gradualmente, caiu sobre o mar uma cortina de denso nevoeiro. Florence mal conseguia ver os
barcos que a acompanhavam. Estava cada vez mais cansada …mas continuou. Por várias vezes Florence ouviu disparos para o
ar - sinal de que havia tubarões por perto. Começou
a ter caimbras nos músculos… mas continuou.
Quando já estava a nadar há 15 horas, parou. Disse que não aguentava mais e pediu para ser
tirada da água. O seu treinador e a mãe, debruçados num dos barcos que a
acompanhava, encorajaram-na: “Vamos Florence! Mais um esforço!”. E ela voltou a
nadar. Ao fim de mais uma hora desistiu
definitivamente.
Após alguns minutos no barco de resgate, Florence percebeu
que estava a apenas 800 metros da costa…
Mais tarde, perante os jornalistas que acabavam de
presenciar o seu fracasso, Florence disse: “Tudo que eu conseguia ver era o
nevoeiro... Acho que, se tivesse visto a costa, tinha conseguido!”
Não foi a distância que derrotou Florence. Não foi o
frio nem o cansaço. Foi o nevoeiro.
Foi ter perdido de vista o seu objectivo.
Quantas vezes
isto acontece na nossa vida? Temos um
sonho, um objetivo, e lutamos por ele, dias, meses, anos. Com o tempo, começamos
a ficar cansados. Desencorajados. O “nevoeiro” instala-se. E só nos apetece
desistir.
Florence Chadwick
desistiu… mas 6 meses depois do fracasso, voltou a tentar – e conseguiu fazer o
difícil percurso entre Catalina e Long Beach,
tornando-se a primeira mulher a fazê-lo.
Porquê? O que aconteceu de diferente? Foi isso que
os jornalistas perguntaram a Florence.
Os tubarões continuavam a rondar aquela zona. A distância não se alterou.
Ela não estava em melhor forma do que antes. Havia apenas uma diferença: O nevoeiro desaparecera. Não o nevoeiro
atmosférico – esse voltou a aparecer passados os primeiros quilómetros de
percurso. Florence disse que, durante todo o percurso, mesmo quando já estava
muito cansada, nunca deixou de visualizar o seu objectivo dentro da sua cabeça.
Logo ali, a seguir ao nevoeiro.
Calvin Coolidge, Presidente dos EUA, disse um dia: “Nada neste mundo pode tomar o
lugar da persistência. O talento não a substitui: nada é mais comum do que
gente talentosa que nunca fez nada na vida. O génio não o fará: o génio
não-recompensado é a história mais comum que há. A educação também não: o mundo
está cheio de delírios inconsequentes de gente com formação. Mas a persistência
e a determinação por si só tudo podem. É a expressão “CONTINUA!” que resolveu –
e continuará a resolver – os problemas da raça humana.”
Outro Presidente Americano dizia que “Perseguir
objectivos ou esperar que a vida aconteça é a diferença entre o sucesso e a
mediocridade” (John
Kennedy)
Postado por Davide Gouveia às quinta-feira, janeiro 09, 2014
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